Fazendas verticais: uma nova solução para a implantação de agricultura nas cidades

A cada dia que passa a população mundial aumenta. Em 2050 a previsão é de cerca de 9 bilhões de pessoas, onde pelo menos 80% viverão nas grandes cidades. Estima-se que 80% das terras cultiváveis no mundo já estão em uso.

Nas grandes cidades o problema gerado é outro: um alto índice de desperdício de alimentos por parte de seus moradores, além de terem muitos problemas de transito e poluição quando os alimentos que são produzidos nas fazendas de sua periferia são  transportados para abastecer o centro comercial.

Podemos observar que algumas cidades hoje em dia já perceberam a gravidade desde fato e estão tomando providências como, por exemplo, o incentivo da produção caseira de alimentos com hortas até mesmo em varandas. Porém, a solução futura para esse nosso problema, segundo Dickson Despommier, professor de saúde pública da Universidade Colúmbia, em Nova York, são as chamadas ‘Fazendas verticais’. Elas se baseiam em prédios onde podem ser plantadas árvores frutíferas, vegetais, gramas e criação de peixes e pequenos animais que serviriam para alimentar cerca de 10 mil pessoas todo mês.

Vale a pena lembrar que dependendo das condicionantes onde o projeto for implantado, teria que ser feita uma análise climática e uma pesquisa local para não interferir economicamente no sistema já existente da região.  Segundo Augustin Rosenstiehl, do Atelier SOA Architects, de Paris, ao jornal The New York Times em julho de 2008, “Uma fazenda vertical precisa ser adaptada para um lugar específico”.

Alguns cálculos de custo já foram feitos e estima-se que seria necessário cerca de 200 milhões de dólares para estruturar uma unidade. Se levarmos em consideração os gastos e benefícios em longo prazo que as cidades teriam, poderemos perceber que economizaríamos muito, além de proporcionar uma qualidade de saúde muito melhor para os habitantes.

Vantagens da instalação de fazendas verticais:

  • Como o edifício estaria localizado próximo ao seu público final, a cidade economiza dinheiro e energia, pois hoje é necessário levar os alimentos da periferia para os grandes centros urbanos comerciais, incentivando ainda mais o consumo natural ao invés de produtos industrializados.
  • Seria estabelecido um microclima controlado, com isso, não dependeríamos de fatores como o clima e solos férteis, podendo ter uma produção contínua. Além disso, as plantações estariam menos sujeitas às pragas e insetos, sendo possível a produção de alimentos orgânicos, melhorando assim a saúde da população.
  • Em termos de ecologia, esses edifícios nos ajudariam na manutenção da qualidade de nossos lençóis freáticos e as bacias hidrográficas, pois os agrotóxicos dessas práticas não entram em contato com o solo.
  • Ajudam a resolver problemas de poluição do ar, melhorando o clima e diminuindo o efeito das ilhas de calor.
  •  Segundo o professor Despommier, esse sistema pode ajudar a reduzir a tensão ambiental, possibilitando o reflorestamento das terras utilizadas para plantio.
  • Socialmente, é uma boa solução para gerar emprego para as pessoas que migram do campo para a cidade buscando uma melhor qualidade de vida, pois essas podem trabalhar em sua área de atuação e se especializar na mesma.
  • Essa construção poderia também ajudar na revitalização de áreas degradadas, pois trazem vida para o local.

Como funciona o sistema do edifício:

Os edifícios são geralmente elaborados no formato de rampa circular ou em patamares setorizados. O fato de ele ser redondo, ajuda na melhor captação de luz o dia todo para as plantações. De cima para baixo, na cobertura há um sistema de captação de água pluvial, essa que será usada para a irrigação de todo o complexo. Alguns projetos preveem também turbinas eólicas para a captação de energia, além dos painéis solares. Ao longo do edifício localizam-se as plantações e nos primeiros pavimentos, os berçários, local de germinação dessas. O térreo do prédio seria um grande mercado onde os produtos seriam comercializados. Há outros usos que poderiam ser incorporados, como uma escola de agronomia e laboratórios de pesquisa, fator muito válido quando percebemos que para o sistema funcionar é preciso uma mão de obra qualificada e especializada. Por outro lado, há outros projetos que pretendem mesclar habitações e escritórios nos edifícios.

Toda a tecnologia necessária seria introduzida, como por exemplo, as janelas seriam tratadas com um produto químico que bloqueiam poluentes e as impermeabiliza. Além de captarem a umidade do ar para transformar em água potável. Haverá um sistema elaborado de renovação de energia, ciclagem de água, compostagem de resíduos orgânicos para adubar, etc. Em alguns casos, há projetos que possuem um sistema de tratamento de águas de esgoto, onde ‘água negra’ é transformada em ‘água cinza’, possível de ser utilizada na irrigação e o metano é usado para gerar energia.

Tendo em vista o futuro da humanidade, esse tipo de projeto com certeza terá de ser implantado nos anos que se seguem, quando a escassez de terra não encontrar mais solução. É importante lembrarmos que como arquitetos, podemos contribuir muito com o futuro, ao desenvolver edifícios e pensar em novos sistemas que atendam essas necessidades.

Alguns exemplos de Fazendas Verticais:

Arq Vikas Pawar, Norte da Índia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dragonfly Vertical Farm, NY | Escritório belga Vincent Callebaut Architectures

Behive Tower, assinado pela dupla de arquitetas Rory Newel e Lucy Richardson

Atelier francês SoA architectes

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